sábado, 6 de setembro de 2008

Hoje acordei pensando naquele tipo de pessoa que só entra na nossa vida pra destruir. Não sei por que acordei pensando nisso não, só sei que foi assim [Chicó mode on].

Daí me lembrei de um dia em que eu tava preparando a sala de aula, e a primeira aluna a chegar foi uma garota que eu gostava muito – garota sendo forma de falar, porque embora eu fosse uns 7 anos mais nova que ela na época, já faz uns 7 anos que isso aconteceu, e eu tipo prefiro ser chamada de garota do que de qualquer outra coisa que eu consiga pensar agora (são seis e dez da manhã).

Preciso explicar pra quem não me conhece que nunca fui magra na vida. Aliás, fui, em dois momentos curtos demais (why, God, why). Primeiro durante a faculdade, quando namorei, me apaixonei e fui completamente humilhada no final por alguém que gosto de lembrar como O Epírito de Porco Preferido do Capeta. Depois durante o Mestrado, quando namorei, me apaixonei e fui completamente humilhada no final por alguém que gosto de lembrar como O Grande Ebó Assistente do Capeta. Antes que vocês me perguntem se eu sofro humilhação por esporte, não, e no Doutorado preferi optar por alguém que não fosse do ciclo de amigos íntimos do Pé Preto. Bom, pelo menos até agora eu acho que não, até porque continuo gordinha.

E a coisa foi assim: enquanto estava com O Epírito de Porco Preferido do Capeta emagreci um pouco, depois da humilhação emagreci bastante, e logo depois voltei ao normal. Anos depois fiz o único regime da minha vida que deu certo, tava gata (mas não maaaaagra), conheci O Ebó Assistente do Capeta, emagreci mais um pouco, depois da humilhação emagreci bastante, e depois disso não voltei nunca mais ao meu normal. Não, não fiquei magra pra todo o sempre – ei, se fosse esse o caso eu estaria contando uma história feliz pra vocês. Engordei de novo, mas de uma forma que nunca tinha engordado antes. Entrei durante meses sem fim numa depressão profunda, da qual ninguém nem remédio nenhum me tirava.

E é aí que voltamos lá ao segundo parágrafo, nossa história principal: eu arrumando a sala de aula, e a garota chegando. Eu gostava muito dela, sabe aluno que participa? Então.

Daí que ela tava passando por alguma fase de transformação também, só que, ao contrário de mim, ela tinha emagrecido muito. Eu, claro, muito feliz que fico pelo sucesso dos outros (de quem eu gosto, claro. O de quem eu não gosto me é indiferente), fui dar os parabéns, dizer que ela estava lindona. E foi aí que se deu.

Ela agradeceu muitíssimo, fez cara de confidência, e disse assim:

- Ana, já que você tá me dando os parabéns, posso te dizer uma coisa?

- Claro, Bia!

- EMAGRECE, POR FAVOR! Você era tão linda, usava aqueles vestidinhos, me deixava louca de inveja! Me dá uma PENA te ver assim tão gordinha!

Gente. Meu. Sorriso. Morreu.

Sabe quando você ganha um presente que não gosta e não consegue disfarçar? Assim. Meu sorriso morreu. Eu fiquei tããããããoooo sem graça!

1 - Desde quando a frase que começa com “já que você está me dizendo uma coisa boa...” deve terminar com “... me deixa te dizer uma coisa ruim”?

2 - Te conheço? Você sabe da minha vida? Acha que eu passava o dia inteiro comendo porque de repente naquele ano tinha acordado com mais fome? Sabe se eu tava passando por algum problema? (porque gente, oi?, ninguém escolhe ser gordo, e bulimia é tipos uma dádiva que, assim como a riqueza e/ou a beleza, não é pra todo mundo não)

3 - Te perguntei picas? Eu tava quieta no meu canto, arrumando as cadeiras (coisa para a qual aliás você não ofereceu ajuda), pensando o tempo todo no quanto eu estava ridícula naquela roupa apertada, e em todas as outras roupas do armário, todas ficando cada vez mais apertadas. Não precisava de você pra espelho, não, que sempre tive um bom em casa.

Mas eu não fiquei com raiva na hora não. Fiquei magoada. Porque, assim, eu realmente tava feliz por ver ela tão bem. E eu tava deprimida pra cacete! Vocês sabem o que é pra alguém em depressão se sentir bem, e mais, se sentir bem por outra pessoa? Isso foi um sentimento, assim, muito nobre, tá, da minha pessoa. Prova de que sou um ser humano bom – e não uma antipática, como minha mãe diz que eu sou (opinião de mãe não conta, então relevem. Grata).

Então é isso. Eu podia estar roubando, podia ter mandado matar aquela vaca, mas estou aqui pra pedir: pessoas, se vocês têm uma opinião, guardem pra vocês. Vai que vocês abrem o coração pra alguém menos legal que eu. Vai que vocês dizem o que pensam, e a outra pessoa menos legal manda vocês enfiarem o que pensam naquele lugar catinguento.

(Vou falar: coisa que você vai merecer, boca grande.)

4 comentários:

Tati Tatuada disse...

Sua ex querida tem a sensibilidade de um hipopotamo furioso.
Ana, eu tenho um caderninho de capa verde. Nele esta a lista do "como pude". Mas nada supera os apelidos carinhosos que você arrumou para os seus "como pude".
Pensa assim: Quem é gordo pode emagracer, fazer plásticas etc., mas quem não tem berço, só nascendo de novo.
Beijos.

Marion disse...

Ana, gente assim nem merece que a gente pense nela.
Eu conheço muita gente que é espírito de porco , que abre a boca só para destilar veneno.
É foda.

E dane-se ela.

E adorei os apelidos para os falecidos! risos.

Beijos

fabiana disse...

Gente, tô bége!
Uma amiga minha estava na mesma situação que você anos atrás: deprê. Aí nós duas, passeando pelo shopping, encontramos uma 'conhecida' de tempos áureos que não exito em dizer pra ela: 'Nossa, mas você engordou muito, hein?'

Tipo, comássim carapálida? Tive vontade de esquartejar a indivídua pelo estacionamento do shopping!

Tem gente que é Uó mesmo, credo!

Vanessa Bracony disse...

"Nuuuussa" Sem noção...